
Meu testemunho de conversão
Meu
nome é Paulo Ricardo Pujol dos Santos. Nasci em 10 de março
de 1960. Sou natural de Porto Alegre.
Venho
de uma família paupérrima de cinco irmãos, o
qual eu sou o primogênito. Aos meus 10 anos de idade fomos morar
na vila Maria da Conceição, no bairro Partenon. Foi
onde a minha vida começou a mudar. Meu pai era motorista de
Táxi (o táxi não era seu), o qual trabalhava
de noite para que comêssemos de dia. Muitas vezes tinha eu que
pegar a minha irmã caçula para mendigar um pedaço
de pão envelhecido, restos de comida e roupa usadas. A casa
que tínhamos era uma maloca; o terreno não era nosso.
Marcado pelas drogas
Meu
irmão morreu no Presídio Central. Contraiu o vírus
da HIV na utilização de drogas injetáveis. Uma
das minhas irmãs também morreu por ser soro positivo
de HIV. Perdi minha mãe quando ainda estava na prisão
e meu pai logo depois que eu deixei a prisão. Ambos morreram
por causa do uso de cigarros.
Com
quatorze anos conheci amigos que usavam drogas e praticavam roubos.
Foi quando comecei a usar “boletas”, maconha e bebidas
alcoólicas. Aos dezessete anos, já sendo viciado, abandonei
os estudos na 7ª série. Aos dezenove anos de idade já
estava usando drogas injetáveis, e sexualmente envolvido com
diversas garotas e mulheres com mais idade que eu.
Tive
quatro filhos, sendo um deles fora do primeiro casamento, e eu não
tinha maturidade para ser pai.
Antes
de completar a maioridade estive preso em algumas delegacias de adulto
e de menores por roubo e tráfico. Quando jovem mesclava momento
de atividades criminal e de trabalho honesto. Comecei na vida do roubo
puxando bolsas de velhinha e enfiando a mão no bolso de velhinhos.
Fiquei
conhecido no submundo como “Ratinho da vila Maria da Conceição
e/ou Blim-Blim da Dêgo”.
Quando
estava próximo de servir o Exército, levei um tiro no
fêmur direito, o que encheu o meu coração de ódio,
desejava abandonar o hábito de roubar, menos o da maconha,
quando ingressasse no Exército.
Decidi
usar arma de fogo e, também de não usar de ameaças,
assim como, não dar nenhuma oportunidade de defesa aos que
viessem contra mim. Passei assaltar a mão armada. Levei outros
dois tiros em tiroteios com um policial e com gangues.
Graduação no mundo do crime
Fui
parar no Presídio Central de Porto Alegre pela primeira vez
em 19 de agosto de 1985, quando fui condenado à pena de 2 anos
e 8 meses. Tive uma passagem pelo regime semi-aberto, de onde fugi.
Estive por seis meses em fuga. Fui recapturado em outubro de 1987.
Após um ano de cumprimento da pena, retornei ao regime semi-aberto,
do qual fugi no mesmo dia em que fui transferido. Tornei-me homicida
e dei continuidade aos assaltos à mão armada. Fui recapturado
pela terceira e última vez em junho de 1988. Estive nas principais
Penitenciárias de Charqueadas, onde cumpri 13 anos da pena
de 63 anos e 8 meses, soma total de todas as minhas condenações.
Uma visita muito especial
Na
Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, tive
um encontro com o Senhor Jesus Cristo em dezembro de 1996, logo após
a situação de aguardar ansiosamente a visita de algum
membro da minha família e/ou de uma das tantas mulheres e ou
amigos que tivera.
Abandonado,
com uma forte dor de cabeça, provavelmente por tentar atrair
com o pensamento positivo as pessoas que eu gostaria de ter comigo
naquele Natal. Próximo da meia-noite fui para a janela da minha
cela. Olhando para o céu estrelado comecei a pensar sobre a
possibilidade da queda de um presente do trenó do Papai Noel.
Com este exercício consegui acalmar a minha mente e dormir.
De
madrugada tive um sonho que mudou toda a minha vida e sua trajetória.
Surgiu
uma mão no alto do céu. E ela estava estendida em minha
direção. Ao vê-la pensei: eu não pedira
ajuda dos céus e sim da terra; eu não pedira ajuda de
Deus e sim de familiares, parentes e conhecidos. Contudo, a mão
não se deteve por causa dos meus questionamentos. Ela continuou
avançando em minha direção, e eu continuei pensando:
mas eu não sou digno desta ajuda; olha quem sou eu! Olha onde
estou! Veja o que eu pretendo fazer quando sair da prisão!
Minha intenção ao sair daquela prisão era retornar
à vida de assaltos e homicídios. Tinha a intenção
de vingar-me de algumas pessoas que me abandonaram dentro da cadeia,
além de pôr em prática algumas técnicas
de assaltos que aprendera dentro da prisão.
Uma mão amiga
Porém,
a mão continuou vindo em minha direção, e mais
uma vez pensei: esta mão estendida não é para
mim, deve ser para outra pessoa que está próxima de
mim. Olhei ao meu redor e vi que estava somente eu ali. Então,
o dono daquela mão falou comigo com uma voz mansa e suave dizendo:
“Quando tu precisares de ajuda me chama que Eu te ajudarei!
O meu nome é Messias”. Então, acordei-me e passei
a refletir sobre o que sonhara. Algum tempo depois, lendo o Evangelho
segundo João (João 4.25-26), saltou-me aos olhos o nome
Messias. Seis meses depois, aceitei que quem falara comigo através
do sonho fora o Filho de Deus: Jesus Cristo, pois Ele é o Messias
prometido.
Recomeço
Era
junho de 1996. Passei pelo processo de libertação das
drogas, da renovação da minha mente pela Palavra de
DEUS. Ganhei a progressão de regime em 14 de outubro de 1999.
Comecei
a trabalhar no Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul
(Detran-RS) em abril de 2001, neste mesmo ano casei-me com Dalva Lucas.
Em 2003 iniciei meus estudos em Serviço Social, na Universidade
Luterana do Brasil (ULBRA) em Canoas. Em 2007 adquiri uma casa com
o suor do trabalho honesto. Fui separado para evangelista pela igreja
Batista Filadélfia de Gravataí. Atualmente sou líder
do Ministério Missões e Evangelismo e estagiário
de Serviço Social, no Exército de Salvação,
onde realizo um trabalho social e de evangelismo com moradores de
ruas.
Em
obediência ao “IDE” do Senhor Jesus Cristo, temos
a proposta de sair das quatro paredes da igreja ao encontro dos PERDIDOS
E DESVIADOS. Sempre fazendo com que mais pessoas Conheçam,
Entendam e Apliquem os ensinos do Senhor Jesus Cristo. Sabemos, pois
que uma vida transformada pelo Evangelho de Jesus permite o desenvolvimento
pleno de toda a personalidade, o bom sucesso em todas as empreitadas
cotidianas e a santa vocação para servir a humanidade
com o amor de Deus.
PAULO RICARDO PUJOL DOS SANTOS
Ministério de Evangelismo e Missões
min.missoes@batistagravatai.org
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